Mostrando postagens com marcador sábado. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sábado. Mostrar todas as postagens

Gli Amanti

O doce som da chuva ricocheteava no resistente vidro da janela e inundava o quarto com a paz e tranquilidade que só ela era capaz de proporcionar. O som, a música, o ritmo descompassado das gotas, tomava conta de meu corpo e amenizava as dores que nele existiam. Dores causadas por eventos irracionais, decorridos de ações desgovernadas e vontades ocultas, impregnadas nos pensamentos mais profundos de meu ser. Pensamentos e ações que, um dia, eu prometera que não me dominariam.
Eu estava deitado, com o corpo rígido, como se há muito tempo não o movimentasse. Meu tórax parecia estar comprimido e pequenas pontadas de dor transitavam pelos arredores de minha nona costela do lado direito. Movimentei, lentamente, os dedos de minhas mãos, um a um, conferindo se estava tudo em ordem; em seguida, com certa expectativa, movimentei os dedos de meus pés, soltando uma lufada de ar, seguida de uma leve risada, causada pela alegria de ter conseguido.
- Estava conferindo se não possui nenhuma lesão na coluna?
Uma voz, feminina, suave e reconfortante, quebrou o ritmo descompassado da chuva e desviou minha atenção para o lugar de onde ela vinha. Eu estava de olhos fechados até então, abrindo-os lentamente e piscando várias vezes, devido a luminosidade excessiva dentro do quarto, mesmo que toda luz proviesse de fora do quarto.
Logo que meus olhos se acostumaram com a claridade, eu pude assimilar onde estava. O quarto era perfeitamente branco, tendo a cama, onde eu estava, no exato centro e uma grande janela, que preenchia toda a parede, no meu lado esquerdo. Em frente à cama havia uma pequena mesa de mármore, com uma cesta de frutas frescas em seu topo, e quatro cadeiras em sua volta, sendo que uma possuía um casaco em seu encosto. Ao lado direito, havia um sofá-cama, aconchegando uma mulher loira, por volta dos trinta anos, trajando uma roupa branca e com um crachá no lado esquerdo do peito escrito “Parvana”.
Ela se levantou do sofá e veio em minha direção com um sorriso estampado no rosto, colocando a prancheta na prateleira que ficava em meu lado direito e conferindo o soro acima de mim.
- Sim. – Respondi com uma voz meio gutural. Tossi. – Estava conferindo. – Sorri com o canto da boca.
- Isso demonstra um pouco de conhecimento. –Disse, olhando-me dos pés a cabeça. – Então, estás te sentindo bem? Com dor em algum lugar?
- Um leve desconforto no lado direito, mas nada de mais.
- Acha que precisa de mais uma dose de relaxante ou dá pra aguentar?
- Dá pra aguentar.
- Você foi muito corajoso. – Ela olhava em meus olhos como se enxergasse algo a mais. – E muito imprudente.
- Desculpa. Eu só fiz o que achava ser certo.
- Não te culpo por algo. – Ela olhou a prancheta. – Só acho incrível a sorte que você teve. Podia estar morto agora, enterrado, ou virado cinza.
- Desculpa? – Dei uma leve risada e, devido a ela, senti uma forte pontada de dor entre as costelas.
- Calma, relaxa. – Ela tocou de leve em minha perna. – Eu vou sair, preciso ir ver como estão os outros pacientes. – Ela sem virou e caminhou em direção à porta, parando logo em seguida. – Aproposito, você tem um belo namorado.
- Namorado? – Perguntei atônito.
- É, um rapaz moreno, olhos escuros, altura mediana, cabelo arrepiado e levemente marcado. Ele te visitou quase todos os dias. Será que o incidente afetou a memória?
- Não. Quer dizer, espero que não. É só que... – Fiz uma pausa. - Até eu acordar, eu não tinha namorado.
- Bem. – Ela olhou o relógio. – Ainda está cedo para ele chegar, são duas da tarde, ele geralmente chega depois das quatro. Quando chegar vocês conversam. Eu realmente preciso ir. – Ela sorriu de forma tímida. - Qualquer coisa é só apertar o botão. – Ela apontou rapidamente para algum lugar próximo a minha cama e seguiu seu caminho até a porta, abrindo-a e deixando-me sozinho naquele quarto branco.
O tempo começou a passar e a televisão já não me distraia mais, obrigando-me a buscar pensamentos na vista de minha janela. Uma paisagem um tanto bucólica, contendo árvores, prédios e o céu cinza, liberando sua raiva sobre o labirinto de concreto na qual eu morava.
Eu estava com meus braços e pernas doloridos pelo fato de estar a um bom tempo deitado, mas eu não podia me mexer, caso contrário, a dor em meu tórax se tornava insuportável. Restando-me nada para fazer, a não ser fechar meus olhos e tentar descansar mais um pouco, desligando-me daquele excesso de branco.
- “Preciso me lembrar do que aconteceu.” – Pensei.
Era uma quarta-feira, véspera de feriado. O dia fora um tédio total, pelo fato de eu ter passado grande parte do meu tempo fazendo os trabalhos da faculdade e dando aula, mas a noite seria boa, ou, como dizem alguns, um erro.
Eu e um grupo de amigos, antigos colegas de colégio, havíamos combinado de irmos a uma festa, uma casa noturna que ficava próxima de todos. A noite estava limpa, com o céu sem nuvens e com uma brisa aconchegante. Nós combinamos de chegar à casa noturna por volta das onze horas da noite, e assim fizemos; adentrando no local por volta das onze e meia e nos divertindo ao som de músicas eletrônicas e diversos outros estilo. Nós bebemos, rimos, caímos e levantamos, sempre com um sorriso no rosto, com a alegria de estarmos juntos correndo em nossos corpos.
E assim se deu a noite, uma festa grande, em um lugar pequeno e abafado, cheirando a cigarro. Mas não importava, afinal, o êxtase da alegria coletiva era superior a tudo.
Nós permanecemos lá até às cinco horas da manhã de quinta, nos locomovendo cansados e cambaleando até a saída da casa noturna. E foi aí, nesta hora, que as coisas começaram a dar errado.
Do lado de fora da casa noturna havia várias pessoas formando um círculo em volta de outro grupo menor. Eu me espremi entre a grande multidão de adolescentes curiosos, afastando-me de meus amigos e parando em um ponto que eu conseguia enxergar a cena de forma satisfatória.
Lá, no meio ao círculo, havia quatro pessoas. Duas delas, sendo uma menina e um menino, estavam gritando para as outras duas pararem de brigar, enquanto os outros dois, dois rapazes, duelando entre si no meio do formigueiro, socando-se e se chutando sem piedade, tentando acabar com o seu adversário. 
As pessoas em volta estavam paradas, sem ajudar ou chamar alguém que pudesse ajudar, o que, de certa forma, me preocupava. Lembro-me vagamente do rosto de um dos combatentes, alto, cabelos pretos espetados, com a raiva estampada em seus olhos. E o outro era alguém que eu deveria me recordar, mas, acredito eu, devido ao álcool, eu não conseguia associar o nome a pessoa.
Eles estavam envolvidos de mais com a briga, sem se importar, ou sem enxergar, a grande plateia que havia se formado. Eles estavam em um êxtase de puro ódio um com o outro. E foi por causa deste ódio, e de certa idiotice minha, que eu fui parar no hospital.
Eles estavam próximos um do outro e, assim que encontrou uma brecha, o maior, de cabelos pretos, chutou o tórax do moreno e o arremessou para trás, fazendo-o perder o equilíbrio e cair no chão, levantando-se com certa dificuldade.
- Eu vou te ensinar a não mexer com a mulher dos outros. – Disse com a voz entredentes; assim que ele terminou a frase ele retirou uma pistola de dentro da sua calça e apontou para seu adversário, fazendo-o ficar imóvel, após recuperar o equilíbrio.
Aquele pequeno ato, de retirar um pedaço de metal mortífero do bolso, foi o suficiente para fazer com que todos que estavam em volta se atirassem no chão e permanecessem por lá. Todos menos eu.
No exato momento em que todos se abaixaram, e eu mirei os olhos do moreno, observando o pânico tomar conta de seu corpo, eu me recordei de onde o conhecia. Ele era estudante, provavelmente do segundo ano do ensino médio e pegava sempre o mesmo ônibus que eu. Antes de entrar na faculdade eu fiz um curso preparatório e, quase, todos os dias, quando eu saía do curso, eu o via subir no mesmo ônibus que eu, sempre sorrindo. Característica que eu adquiria quando o via. Além de uma forte vontade de rir.
Talvez eu me julgue idiota por, tecnicamente, me apaixonar por alguém que eu não conheço, por sentir atração por uma pessoa que eu nunca havia conversado, por sentir desejo por alguém que eu, talvez, nunca fosse saber o nome. Mas havia acontecido e eu não podia negar aquilo para meu eu.
O tempo passou e eu continuei vendo ele, até que, por alguma eventualidade do destino eu descobri seu nome enquanto perambulava por páginas aleatórias de assuntos prazerosos em uma rede social. Mas parecia que o destino não estava ao meu favor e me aprontou uma troca equivalente. Eu descobri o nome, mas nunca mais o vi.
Os meses passaram, o vestibular chegou, eu entrei na faculdade e, depois de seis meses eu o encontrei de novo. Rodeado de pessoas estranhas, com uma arma apontada em sua direção.
- Ca-ca-calma. – Disse Matheus, levantando a mão trêmula em direção ao que segurava a arma. – Abaixa isso, alguém pode se machucar.
- Nunca. Você vai aprender a não mexer com a mulher dos outros.
Os dois estavam parados, sem se movimentar, encarando os olhos um do outro. Um tomado de raiva e o outro de pânico. O tempo pareceu desacelerar e aqueles poucos segundos, em que apenas nós três estávamos de pé, pareceram eternos.
Uma pequena movimentação começou a se formar na saída da casa noturna e assim que os seguranças de aproximaram do indivíduo armado eu fui tomado por um pressentimento de morte, algo que nunca havia sentido antes. Meu corpo pareceu agir sozinho e quando dei por mim estava correndo em direção ao Matheus, pulando para protegê-lo de algo que eu nem sabia se viria. Mas eu estava certo.
Os seguranças agarraram o meliante e, talvez por um reflexo, ele apertara o gatilho, disparando a pistola e libertando a bala de seu casulo acobreado. O projétil cruzou a distância rapidamente, encontrando abrigo em minhas costelas, e se não fosse por mim, devido a altura de Matheus, provavelmente ele não estaria mais caminhando no reino dos vivos.
Meu corpo baleado checou-se contra o chão duro da rua e minha última lembrança é o rosto de Matheus, me olhando, ainda com pânico nos olhos e se ajoelhando ao meu encontro. Conferindo, rapidamente, se os seguranças já haviam dado conta do atirado.

~x~

“Blaam”. A porta bateu. Despertando-me de minhas lembranças.
- Ops. – Disse uma voz desconhecida.
Os passos, lentos e marcados, inundaram o quarto, fazendo-me prestar atenção nos outros ruídos que ali existiam. O cair das gotas de meu soro, o extremo agudo causado pela televisão no mudo, o som da chuva a se chocar contra vidro e a respiração da minha mais nova companhia, que era lenta e tranquila. Eu permaneci imóvel, como se estivesse dormindo, afinal, eu esperava uma visita e queria saber como ela agiria comigo ali.
- Me disseram que você poderia acordar entre ontem e hoje. – Uma mão fria segurou a minha. – Mas até agora nada. Já faz quatro dias, e eu ainda não consegui falar contigo. – Ele soltou minha mão e eu abri levemente os olhos, observando aonde ele iria.
Ele caminhou até a parte da frente da cama, retirou a mochila de suas costas e a colocou em cima da mesa, pegando uma das frutas que ali estavam e dando uma mordida. Ele voltou a ficar na frente da cama, de costas para mim, observando a imagem muda que era exibida na televisão. Eu abri por completo meus olhos e fiquei mirando suas costas, esperando que o silêncio fosse quebrado.
- Eu queria entender o que te levou a fazer o que tu fez, digo, a gente não era nada. Nós só tínhamos nos visto nos ônibus, mas, fora isso, nada. Eu não sabia seu nome, sabia nada. – Ele fez uma pausa. – E mesmo assim você me salvou. – Mordeu a fruta novamente.
“Hoje eu conversei com minha psicóloga e com alguns amigos, inclusive aqueles que estavam lá no dia, aquele casal que estava do meu lado. Eu – Fez uma pausa. – Eu realmente não sei o que está acontecendo, mas depois do que você me disse, eu tenho pensando a todo tempo sobre isso. É difícil, de certa forma, eu... – Ele virou em minha direção, vendo-me de olhos abertos. – Você está acordado?! E não falou nada! – Ele arregalou os olhos.”
- É que você estava num monólogo tão interessante. – Sorri.
- Ah. – Ele ficou corado.
- Quer continuar dizendo o que você falar?
- Ah, é que... – Ele olhou pra baixo, permanecendo assim por um tempo.
- Antes de você chegar – comecei a falar. – Eu estava recordando do acontecido, puxando na memória todos os detalhes daquele evento. Mas eu não recordo de nada depois de ter levado o tiro e caído em sua frente. E agora a pouco você comentou que eu te falei alguma coisa. O que foi que eu te disse?
- Bem, eu não lembro com exatidão o que você me falou, mas vou tentar te dizer. – Ele evitou olhar em meus olhos desde a outra pergunta.
“Logo depois que você levou o tiro, eu me agachei em seu lado e observei, por um curto espaço de tempo, os seguranças da casa noturna imobilizarem o cara que estava armado. Eu estava em pânico, tremendo, ofegante, primeiro por ter uma arma apontada pra mim e depois por ter visto um desconhecido levar um tiro que deveria ter sido meu.”
“Eu fiquei do seu lado e assim que olhei nos seus olhos eu lembrei que, teoricamente, já te conhecia. Você era o guri do ônibus, que eu via diariamente. Você e uma amiga, que, pelo fato de vocês dois sorrirem quando me viam eu achei que era afim de mim. Mas eu estava errado. Assim que me toquei de quem você era, milhares de perguntas surgiram em minha mente, dúvidas sobre mim e sobre você, que me salvara naquela noite.”
“Como já disse, eu estava com a mão trêmula, mas, mesmo assim, me senti obrigado a colocar minha mão sobre a sua testa e, assim que o fiz, sorri em sua direção, e, por sorte, você me devolveu o sorriso. Você respirava com dificuldade, buscando mais ar do que parecia precisar, e isso me preocupava.”
“As pessoas começaram a ligar para os policiais e chamando uma ambulância, gritando em seus telefones, dizendo que um rapaz havia sido baleado. Eu olhei para os lados, já mais calmo e você segurou minha mão, puxando de volta minha atenção e iniciando um diálogo comigo.”
“- Seis meses sem te ver e, quando te vejo, tenho que te salvar. – Você tossiu um pouco de sangue. – Eu não sei se vou ter uma chance de te dizer isso de novo, mas eu preciso dizer. – Fez uma pausa. – Eu gosto de ti. Gosto mais do que deveria gostar, afinal, eu não te conheço direito, eu só te via subir no mesmo ônibus que eu. Pode parecer estúpido, mas é como se, desde a primeira vez que eu te vi, me sentisse obrigado a te proteger, a te conhecer, a estar, de alguma forma, ligado contigo. – Fez novamente uma pausa. – Desculpa se estou te assustando, mas é só o que eu sinto.”
“Depois disso você desmaiou e, logo em seguida os paramédicos chegaram. Pondo você na ambulância e o trazendo para este hospital.” – Ele olhou o quarto.
“Eu depus contra o atirador, junto de alguns amigos seus. E até então eu ainda não tinha descoberto seu nome, sentindo-me obrigado a falar com menina que eu via sentada ao seu lado no ônibus. Muito querida ela. Ela me falou que você estava aqui, me disse o quarto e, o mais importante, seu nome. Tudo isso no dia mesmo dia em que o incidente aconteceu.”
“Eu vim aqui apenas no dia seguinte e fiquei feliz de saber que estava tudo certo contigo, que não havia perigo de morte e que você estava sedado, por causa da costela quebrada e do fígado perfurado. Além de alguns vasos rompidos no pulmão. Mas, teoricamente, tudo ficaria bem. Pelo menos para você.” – Ele sorriu.
“Eu me sentia culpado pelo acontecido. E doía, ainda dói, te ver assim. – Ele olhou para mim. – No primeiro dia eu fiquei sentado, te observando, vendo seus amigos e familiares entrarem e saírem deste quarto, perguntando para os médicos e enfermeiros se estava tudo bem. Eu estava em um mundo interno, buscando respostas para perguntas que eu não sabia ao certo se haviam respostas. E foi nesta hora que as palavras que você me disse surgiram em minha mente.”
“Eu refleti com meus amigos, com minha psicóloga e até contigo, mas nunca encontrava uma resposta digna. Eu estava, e continuo, confuso com meus sentimentos. Eu te olho deitado nesta cama – Olhou em meus olhos, com os seus repleto de lágrimas. – E sinto vontade de chorar, de poder voltar no tempo e ter falado contigo no ônibus, para evitar que isso tivesse acontecido. Eu me sinto ligado contigo. E sempre que estou longe, meus pensamentos estão aqui. – Ele respirou fundo e uma lágrima escorreu por suas bochechas.”
- Mas eu também estou errado. – Voltei a falar. - Por ter te desejado e não ter falado contigo. Quer dizer, ter falado apenas quando estava à beira da morte. O erro é mais meu do que seu, afinal, até seu nome eu já sei, Matheus. – Ele me encarou.
- Como você sabe?
- Eu encontrei seu perfil em uma rede social, muito por acaso, antes de nós ficarmos seis meses sem nos vermos.
- Que stalker. – Ele riu e secou suas lágrimas. – Mas eu ainda não entendi o porquê você me salvou daquela bala.
- Você já sabe sim, só não quer admitir. Eu não posso afirmar com toda certeza, mas, eu posso te afirmar que essa é das épocas que mais dói.
- Como assim?
A porta abriu.
- Está tudo bem? – Parvana adentrou no quarto, fazendo-nos olhar para ela. – Opa, olá Matheus, chegou mais cedo hoje.
- É, consegui me livrar de uns compromissos.
- E então, está precisando de alguma coisa? – Ela se virou para mim.
- Não, já tenho tudo o que eu quero. Uma costela quebrada, uma enfermeira especial e um novo amigo.
- Namorado. – Parvana disse em meio a uma tosse.
- Oi? – Matheus perguntou.
- Nada. – O silêncio se fez presente na sala. – Quer dizer, vocês só não sabem ainda. – Ela sorriu e eu a encarei com um sorriso no rosto.
- E o que nós temos de fazer? – Ri.
- Já se apresentaram?
Eu olhei para Matheus, que estava meio cabisbaixo, mas com um sorriso visível para mim. Eu estiquei meu braço, com certa dificuldade, em sua direção e ele olhou para mim, vindo até meu encontro e apertando minha mão com certa delicadeza.
- Prazer, Matheus. – Ele sorriu.
- Prazer, Lucas.

Solidão em vida perdida

Os dias passam com voracidade
Comendo tudo aquilo que restou de mim
O tempo cavalga com severidade
Cortando tudo aquilo que contruí para um fim

A solidão engole tudo aquilo que nela toca
Se perdendo em um mar de agonia
Delirando em uma enchente de pesadelos
Vivendo as mágoas de uma vida perdida

O mundo sem alguém vive gloriosamente
Matando aqueles que restam
E afastando aqueles que teimam e protestam

A solidão é o que nos aguarda
O triste frio sem companhia
Errando o alvo, iludindo-se com o destino
E para que?
Para no fim tudo parar, a terra tremer e o corpo, enfim, morrer

Vergonha


Fiquei preocupado, mas nada podia fazer
Estava com as mãos atadas, impossibilitado
Com vontade de chegar perto e abraçá-lo, entendê-lo.

Culpo a distância
Malditos metros que nos afastam
Culpo o tempo
Maldito segundo em que acabou com a proximidade

Sonho todas as noites
Sonho sonhos de amor
Sonhos de aventuras
Sonhos de dor

A dor
Algo que convivo diariamente desde aquele dia
Dor por não te ver
Dor por não poder conversar
Dor por tu teres ido
Dor por eu ter te perdido

Agora vejo que estás com problemas
Mesmo que sejam pequenos
Mesmo que sejam fáceis de resolver
Mas nada posso fazer
Não posso agir
Não posso chamar
Não posso entender
Não posso ouvir

Vergonha

Tudo que existe, e existiu, surgiu na forma de um sonho

Às vezes eu penso que meus sonhos são impossíveis de alcançar. Como se tudo estivesse fora de meu alcance, ou precisasse de um tempo maior para ser feito, algo que eu não tenho.
Outubro já está chegando e isso só me apavora. Tenho tocado piano, assim como tenho mentido para mim. Não acho que eu esteja em um nível, relativamente, bom para passar na prova prática e cursar a faculdade de Música. Tudo bem que eu tenho uma segunda opção, mas é complicado. Muito complicado. Não sou obrigado a passar de primeira, mas sofro com a pressão psicológica exercida sobre mim. Pressão que eu mesmo me imponho. Isso me destrói.
Mas, tudo na vida surgiu como um sonho, não? Bem, resta-me sonhar e continuar tentando/mentindo para mim.

Garçom

Garçom, mais uma dose de Loucura por favor.

Um novo capítulo

~Construindo uma nova realidade~

Floreios e Borrões

Floreios e Borrões, fim de tarde, a loja estava fechada, mas não possuíamos escolha, tínhamos de nos esconder em algum lugar. Arrombamos a porta, a loja possuía um tom chumbo, nenhuma luz estava acesa, tornando a sala ainda mais escura. Vários livros estavam no fundo da loja, e na frente havia vários ovos de páscoa cobertos com papeis dourados e prateados.
- Quem dera ter tempo para comer um ovo. - Pensamentos gordos sempre passavam pela cabeça de Marta.
- Shh. Ela está vindo, vamos nos esconder! - E eu, como sempre, cortava sua alegria.
Corremos para a parte de trás da loja, onde estavam os livros e fomos para baixo de uma mesa. Devido a quantidade de ovos e livros no chão não era possível nos ver do lado de fora, mas isso não impediu de notarem nossa presença.
Passos ecoavam pelo corredor, várias pessoas passando ao mesmo tempo, a não ser uma que parou olhando para a porta. Ela ergueu sua varinha e a porta se abriu. Seus passos eram escutados dentro da loja, leves, mas acelerados.
- Eu sei que vocês dois estão aí, não adianta se esconder. Saiam para não se machucarem.
- E agora, o que vamos fazer?
- Para Marta, ou ela vai nos ouvir. - Cochichávamos, mas como a loja era pequena, nada impedia ela de nos ouvir.
- Arthur, ela está vindo pra cá.
- Vocês dois que pediram.
Sem medir as consequências, saquei a varinha e saí de baixo da mesa, lançando um feitiço na professora que nos procurava.
- Estupefaça! - Seu corpo foi jogado contra os ovos e a frente da lojas. - Corre!
Saímos correndo da loja, cruzando os corredores vazios repletos de pedras e mármore. Duas pessoas estava conversando ao lado de uma escada a nossa frente. Ao subirmos a escada, Snape estáva nos encarando, ele sacou a varinha.
- Expelliarmus!
- Protego Totalum!
O feitiço de Snape ricocheteou no feitiço defesa, mas com um feitiço não verbal ele conseguiu quebrá-la. Corri para a porta e ergui outra defesa, para que ele perdesse mais tempo. Percorremos vários outros corredores e passamos por várias portas, até que chegamos na praia que havia fora do castelo.
Lá havia um grande estátua de gato e muitas pessoas em volta de fogueiras, cantando.
- Arthur, cuidado!- Um feitiço azulado passou por cima de mim, Hermione estava alguns passos a frente de nós, com sua varinha erguida, apontando na direção do gato.
- Obrigado Marta.
- Piertotum Locomotor!
Fortes tremores podiam ser sentidos, a estátua de gato começou a se mexer, retirando suas patas do chão, movendo sua cabeça e parando para encarar marta e eu.
- Vadia!
Marta correu ao encontro de Hermione, puxando-a pelos cabelos, iniciando uma luta corporal. As duas rolavam pela areia, até que ambas estavam dentro d'água do mar, lutando sem suas varinhas. Enquanto eu era perseguido pela grande estátua. Ela tentava me acertar com suas patas de três metros de diâmetros, mas eu era mais rápido. Em uma ultima tentativa virei para trás e lancei um dos feitiços mais poderosos que sabia.
- Expulso! - Com um grande zumbido, a estátua adquiriu um tom amarelado e se desintegrou.
Corri para o encontro da Marta, que estava aos socos e chutes com Hermione. Não era possível dizer quem estava ganhando, já que as ondas também estavam participando. Entrei dentro d'água e usei um feitiço de fogo para afastá-las.
- Incendio! - Algumas chamas sugiram na água, mas devido a água eram apagadas rapidamente, por sorte, Hermione possuía medo de fogo, afastando-a da Marta.
Corremos para a areia, não havia para onde ir, todos estavam nos procurando. Por sorte éramos maiores de idade, podíamos usar feitiços mais complexos.
- Marta, temos que sair daqui.
- Mas para onde nós vamos?
Enquanto falávamos, Hermione se recuperara do susto e vinha ao nosso encontro. Sua varinha estava apontando para nós e seu olhar dizia que não seria uma boa ficar lá.
- Qualquer lugar bem longe.
- Avada...
Os olhos de Marta ficaram perplexos, como podia uma grande aluna conjurar tal magia. O que tínhamos feito para merecer a morte?
- Me dá tua mão, já! - Marte não pensou duas vezes antes de me agarrar, não devíamos morrer.
- Keda...
Aparatamos.

Pouco tempo.

Algo em meu peito clama por socorro
Não aguenta mais esperar
Não aguenta mais sofrer

Dias passam
Dois meses sem saber
O que aconteceu
Como ocorreu

Uma ruptura
Uma breve separação
Pouco contato
Uma alucinação

Poucas horas para um encontro
Não posso me atrasar
Mas como devo me arrumar?

Memórias.

Champagne Russa
Bolhas estourando
Monstros me perseguindo
Fogos de artifício

Desliguei o telefone
Virei os porta-retratos
Destruí seu carro
Queimei suas roupas

Defenestrei seu computador
Quebrei seus Cds
Rasguei seus livros

Me livrei se suas coisas
Tirei você de meus pensamentos
Está é a nossa divisa

Noite sem sentido

Recluso nas sombras
Jorrando sangue
Não sei o que penso
Não sei o que faço

As drogas tomam conta do meu corpo
Só queria sonhar
Usufruir de coisas que nunca imaginei
Criar novos conflitos
Cair de cara

Preso no tempo
Pensamentos ensanguentados
Pago pela morte
De 3 vitimas

Zumbido no ouvido
Ecstasy na veia
Formas alotrópicas
Dando a descarga

Livros

Fugirei deste mundo
Mergulharei em meus livros
Devorarei todas palavras
Imaginarei novas aventuras
Esquecerei problemas mundanos.

1/1/11

Um novo roteiro aguarda para ser escrito.

Epílogo

Por mais que eu tente, eu nunca sei o que é realmente certo.
Quais são minhas chances de errar?

Delírio

Rei das areias é
Meu maior rival
Sempre me incomoda com
Aquele animal

Sentado na pedra
Prepara o pão
Cozinha um x-bacon
Com o coração

Caço ele há anos
Nunca o encontrei
Sentado na cama
Nunca levantei

Chuva de patos
Despencam do céu
Gatos famintos
Saem dos recintos

Como cães e gatos
Brigam pelo humano
Unidos resolvem
Mais algum engano

Papeis

Já escrevi muitas coisas
Principalmente sobre você
Não que eu me arrependa
Mas muito já chorei

Já tentei me livrar do sentimento
Creio ser impossível
Difícil destruí-lo
Difícil criá-lo

Pode ser que ele renasça em um papel amassado
Que apareça em uma garrafa no mar
Muitos estão com você
Rasgados, triturados

É muito provável que eu renasça para você
Que eu reapareça em suas lágrimas
Nos papeis
Que você insiste
Em não usar

Frase que deu origem:
Pode ser que eu renasça em um papel amassado, em alguma onda no mar, mas é bem mais provável que eu reapareça em suas lagrimas que você insiste em não secar. [By: Léo]

Você daria sua felicidade pelo sorriso de quem ama?

Quanto vale para você um sorriso?
Quando está indisposto em que pensa?
Quando vê aquela pessoa sorrindo o que sente?
O que você daria para vê-lo (a) sorrir?

Estando em depressão
Carente de atenção
Sempre pensas
No que mais amas

Faço sacrifícios
Difícil de medi-los
Difícil de entendê-los
O que faço se
Nem eu sei o que sinto?

Daria tudo para te ver sorrindo
Talvez, até minha felicidade
Por você, tudo se torna
Uma eventualidade

Me pede
Eu faço
Me mente
Eu abraço

Sofro em silêncio
Recorro a amigos
Reconstruo sonhos
Perdôo erros

A cada dia quero vê-lo (a)
Amá-lo (a)
Senti-lo (a)
Beijá-lo (a)

Dou minha vida
Minha felicidade
Minha emoção
Para, apenas
Te ver sorrir
Ver que consegui
Que acertei
Nunca menti

Só te peço uma coisa
Não jogue fora minha felicidade
Não há destrua
Não precisas adorá-la
Apenas trate-a
Como um sentimento seu
Sorria sempre que se lembrar
Sempre irei te amar

Tentarei.

Renascer

Morra sufocado
Cansei de você
Do meu elemento
Crio sua morte

Estamos aqui
Sobre um oceano
Não há nada em volta
Apenas o mar plano

Sua morte se aproxima
Você nem imagina
Quanta dor sentirá
Quanto sofrimento terá

Uma fissura de abre
Você cairá
O oceano era falso
Repleto de papeis
Você morrerá

Não há o que fazer
Não há chão
Não há fim
Daqui você nunca sairá

Sufocado desaparecerá
Suma deste mundo
Encerro minha técnica
Em conjunto

Fecho o abismo
Saio do oceano
Mas lá você fica
Apenas um pessimismo

O oceano está calmo
Não há mais resquícios
Sobre a água caminho
Vou embora
Não olho para trás

Penso em quem será
O próximo a padecer
Sobre minha técnica
Renascer

Terra apagada

As luzes da cidade vão se apagando
O sol está morrendo e a lua caindo
Quantos de nós irão sobreviver?
Um genocídio está acontecendo, nada a se salvar

Pessoas se tocam pela janela, tentando aliviar sua dor
Os animais correm, precedendo o caos
Humanos amaldiçoados de falsas memórias
Achando que tudo se resolverá

As armas estão engatilhadas
Mesmo assim fingem que não as veem
Algo está errado

Um doença que vem pelos ares
Um mal incurável
Quantos estão prontos?

Cubo

O tempo passa
O clima muda
A terra gira
E a minha vida não é legal (é igual)

Os minutos não passam
(Há algo que eu devia fazer)
Os segundos não andam
(Muitas coisas para escrever)
As horas voam
(Me fazendo enlouquecer)
Perdido entre pensamentos
(Mas em breve esquecerei)

Em cada lugar
(A neve cai)
O tempo muda
(Diferente)
A cada estação
(As folhas secam)
Dispersando minha opinião

(\/ ref)
O tempo passa, passa, passa e você continua a sofrer
O clima muda, muda, muda e você continua a esperar
A tera gira, gira, gira e você continua a se perder

Catástrofes freqüentes
(Inimigos à frente)
Toda hora
(Mesma rota)
Esquecendo o vácuo
(Seu nobre fátuo)

Minha vida nunca muda
(Sempre permanece igual)
Vantagens, desvantagens
(Nunca sofro sem moral)
Esqueço tudo isso
(Volto para o mundo marginal)

Ref.

Vingança natural

Os céus cuspiam pedras de gelo e o vento em diferentes pressões começava a girar. O que seria tudo isso? O fim do mundo? Não sei.
Estávamos em Balneário Camboriú em meio a uma tempestade de tornados. Finalmente chegará o dia em que a natureza se vingava do ser humano. Quatro pessoas dividiam o apartamento de meus avôs, não tínhamos para onde correr, apenas torcer para que nenhum tornado nós atingisse. Sentados no chão ao lado da porta, ninguém queria levantar para ver o que acontecia ao longo da praia.
- Vamos morrer sem saber? Não quero isso. – Perguntei, encarando todos a minha volta.
Neste momento me levantei e fui até a janela checar o que acontecia. Admito que foi um erro, pois meu pavor apenas aumentou. Seis tornados, pessoas voando, sendo sugadas, prédios caindo, telhas voando, animais mortos pelo chão, pessoas sem partes do corpo, mas o que mais me apavorou, foi notar que um dos tornados mudará de direção, rumo onde estávamos. Andei até onde estavam meus amigos e me sentei.
- O que você viu lá?
- Um tornado vindo pra cá. – Eu não conseguia olhar nos olhos de ninguém.
Os olhos de todos foram para o chão, nós morreríamos. Me pergunto como deve ser morrer por um tornado, quais as chances de eu me chocar com o chão ainda vivo, ou ser acertado por alguma coisa, ou até mesmo ter meu corpo perfurado. Não tive tempo de concluir meu pensamento, pois o prédio começou a tremer.
O lustre balançava, as vigas de sustentação faziam barulhos e todos os objetos “andavam”. Não era obra de um tornado, mas de um terremoto. Ótimo, dois medos simultâneos. O prédio começou a balançar, para frente e para trás, uma coisa certa, morreríamos soterrados.
O prédio começou a se inclinar e com isso, todos os móveis também. Nós quatros fomos junto, mas deitados no chão por causa da forte inclinação. O mais preocupante era ver pela janela o prédio da frente chegando cada vez mais perto, não havia mais o que fazer, nossas vidas iniciariam outra jornada dentro de alguns segundos. Não havia com o que se preocupar, eu morreria junto com as pessoas que eu mais amava. Neste momento, algo interrompeu meus pensamentos.
Uma mão quente tocava no meu pulso, eu não conseguia ver seu rosto, mas sabia quem era pelo simples toque. Mas não foi isso que fizera eu me perder, foi o que esta pessoa disse. Eu não esperava escutar isso em um momento tão problemático. Três palavras me que fizeram ver que a morte não é tão ruim.
- Eu te amo.

O Passado