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Ser alguém

Esse sou eu. Não você. E a pior parte é que você não pode ser eu. Você não deve ser eu.
Eu sou aquela pessoa que sabe destruir, que sabe onde estão os seus pontos fracos e que, se for necessário (se eu julgar necessário), usará isso a meu favor. Fazendo o máximo para destruir o "inimigo". Entretanto, sou aquele que mede seus atos, tendo conhecimento das consequências. Sei como tudo acabará e tenho resistência para suportar. Sou uma pessoa sozinha, que vive com os outros por não ter para onde correr. Você realmente está preparado para isso?

Sequelas de um passado.

É como estar sempre com uma pedra no sapato
Mas nunca se importar

É como ter certeza que com o convívio irá se irritar
Mas sempre perdoar

É estar sendo perseguido por algo que não se vê
Convivendo com algo que de fato se prevê

É ser atormentado pelo passado e massacrado pelo futuro
Criando ideias e hipóteses que o tornam obscuro

É ser movido por um sentimento abstrato sem espaço a reflexão
Apenas convivendo com aquele que alimenta a confusão

Um novo eu.

Pequenos atos e uma mudança profunda no ímpeto de uma pessoa
São coisas normais para outras pessoas, pequenas ações que julgam ser comuns
Mas que para mim foram coisas novas, de extremo significado

Estou feliz com o resultado
Estou feliz com a história a ser contada
Não por um certo número
Mas por uma certa liberdade

Liberdade
O "Foda-se"
O "Só vai"
O "Parar de se importar"

Este sou eu no momento,
Alguém livre de preocupações,
Alguém alheio as distrações

Que nunca acabará

Tantas coisas poderiam ter acontecido
Mas, por um cutuco do destino, nada aconteceu

As coisas poderiam ter sido diferentes
Mas, por um jogo de azar, tudo se perdeu

Vivemos em um mundo perecido
Coberto de falsas esperanças
E atirado àqueles que já perderam a confiança

Ensaiamos diálogos para um futuro incerto
Imaginamos as cenas como se fosse uma peça
Mas no fim, nada sai como o planejado
Tudo vira um improviso, sem cenário enfeitado

Tudo é uma grande mentira, uma grande piada
Com as pontas largadas e as armas já fincadas

Um combate, uma cena, uma história que nunca acabará

De volta ao poço

Não sei até onde posso avançar
Quantos passos posso realmente dar
Até cair
Até tombar
Colidir com o duro e frio chão
Acabar, novamente, com aquela eterna solidão

Enganando o sandEu

Crio desculpas para enganar os outros
Livrar-me da culpa de meus erros
Livrar-me de broncas que não quero escutar
Livrar-me daqueles que não quero encontrar

Crio armadilhas para tropeçarem

E no fim a quem engano?
Engano aquele que sempre se deixou cair
Engano aquele que é ingênuo, aquele parvo sandeu
Eu

Falhar

Não falhei com os outros, falhei comigo.

Sonhos e pesadelos - Crescer

Tantos meses
Tanto tempo
Tantas folhas
Tanto vento

Vejo o quanto cresci
O quanto falta crescer
Vejo sorrisos desaparecerem
E vontades florescerem

Me pergunto o real significado
O porquê disto tudo
O motivo de deixar para trás
Tudo aquilo que havia conquistado

Estou crescendo
Estou resmungando
Estou vivendo
Envelhecendo

O porquê
O motivo
A causa
O pretexto

A cada passo eu apagado o passado
Guiando minha vida por novos caminhos

A cada ideia eu apago o já pensado
Esquecendo e deixando a outrora de lado

Afinal,
Crescer significa perder

Sonhos e pesadelos - Lembranças de uma vida.

A ideia de ver teu rosto, ver teu sorriso, ver tuas roupas. A ideia de escutar tuas palavras, olhar nos teus olhos, tocar na tua pele. Ideias e vontades que costumam me atormentar antes de entrar no mundo dos sonhos. Ideias que eu tento controlar, tento manipular, simples ato de engaiolar.

Sofro com a ideia de ter que me afastar, criar barreiras, talvez, até, te matar. Sofro com minhas lembranças de um passado distante, em que nós éramos felizes, e deixávamos tudo em nossa volta perfeito. Sofro com as mágoas que causei, com os erros que cometi e com as ilusões que invoquei. Sofro por não te ter mais perto, por não poder mais te tocar.

Recordo-me de quando dissestes que não se afastaria, que eu era importante, que minha amizade era, de certa forma, relevante. Hoje nós não nos falamos. Deixamos de cumprir promessas feitas de forma involuntária. Para quê? Para apenas um dos lados ficar se martirizando com os fantasmas do passado? Para apenas um dos lados ficar se martirizando com imprecisão do futuro? Para quê?

Não devia ter me apegado. Eu não devia ter idealizado.

Agora, deitado novamente em minha cama, começo a relembrar antigas discussões, antigas conversas, antigos abraços, antigas ideias. Nada disso possui um sentido, não sei por que sismo em recordar, não sei porque tu ainda é importante para mim. Mais uma marca, mais uma cicatriz em minha alma.

A realidade começa a se misturar com o desconhecido. Os sonhos começam a me engolir. Morfeu finalmente chegou. O que me espera esta noite? Sonhos ou pesadelos? Lembranças de uma vida.

Morte de uma corça gorda

Uma pessoa só pode morrer quando:
Seu corpo não habitar o impuro
Suas palavras não ressoarem pelos ventos
Seus conselhos esquecidos
Suas fotografias queimadas
E os sentimentos destruídos

Como poderei viver com tal perda?
Seus pés ainda caminham pelo impuro
Suas palavras ainda ecoam pelos ventos
Seus conselhos ainda são entendidos
Suas fotos ainda brilham
E os sentimentos ainda cultivados

Mas não convivo com tal ser
Fomos separados por uma eventualidade
Coas pregador de peças
Isento de flexibilidade

Cada passo um afasto
Distância do passado
Tudo morto, soterrado
Malditas areias do tempo

Labirinto de sonhos e loucura - parte dois - O Duelo

Kunquat: Pegarei minhas armas e destruirei as paredes que sismam em me cercar; e, caso não haja saída, usarei todos meus recursos e criarei uma.

Guto: E quem sabe o que há por trás destas paredes?

Kunquat: A vida é uma noite escura, ninguém sabe o que acontecerá ao dar mais um passo. Por isso que ela é interessante.

Guto: Se nós soubéssemos, que graça teria? Se não existissem as perguntas ninguém descobria as respostas que nos formam no presente. É o sentimento de incerteza que nos mantém alerta, ele que nos mantém vivos.

Kunquat: O mundo não existe para frente, apenas para trás. O que há em nossa frente é um mistério, uma incógnita devido ao escuro, ao borrão que se faz presente. O que há para trás é o iluminado, o caminho já traçado, o conhecido. O maior problema da vida é ficar parado, esta não é uma opção. Quando parados, nossa mente transita por estes dois lados, o escuro e o iluminado, ela mistura as cores, enlouquecendo o corpo e a psique. Nossa mente nos traí. Por isso não podemos parar, devemos sempre perguntar e traçar um novo caminho.

Guto: Ficar parado a beira de um passado de traumas é a receita para a loucura. O tempo nunca para, mas algumas pessoas param o tempo. Estas pessoas param de evoluir enquanto uns aproveitam para apagar antigas marcas, criando novos momentos, nem que sejam momentos que, quando unidos, criem uma nova maneira de viver. Estas que aproveitam o tempo redescobrem-se, vivem uma nova vida, novas ideias, descobrem um sorriso ao acordar toda manhã. Um sorriso de esperança de alguém que perdeu este sentimento há muito tempo.

Kunquat: Somos como uma Fênix, não importa quantas vezes tombemos, sempre renasceremos de nossas cinzas, de nossos traumas. Renasceremos mais fortes, com mais coragem, com mais determinação. Renascemos para re-enfrentar o mundo, para re-encontrar as belezas perdidas entre as nascentes caóticas e as paisagens bucólicas. Renascemos para voltar a sorrir, talvez em um ciclo individual, talvez em forma de um casal.

Guto: Nunca é tarde para darmos uma nova chance quando podemos aprender com os erros do passado. Não precisamos de um motivo para acordar toda manhã, mas precisamos saber que podemos encontrar um, um sonho ou um alguém. Sempre é tempo de recomeçar a busca por sua razão de vida, pelo que vai te fazer feliz. Não importa quanto tempo dure, pode ser entre dias quentes, semanas chuvosas, ou nas piores semanas do inverno, quando você se sente sozinho.
Saiba que não vai se arrepender de continuar lutando para criar sua nova história e contribuir para as histórias paralelas. Já que, mesmo não estando em um relacionamento, não estamos sozinhos, sempre podemos encontrar apoio para que continuemos todo dia com esta exaustiva tarefa de viver, guardando todas as memórias felizes que vivenciarmos. Junto, é claro, dos momentos tristes, pois a vida é como uma tempestade, sempre há um lindo nascer do sol após as trevas.

Kunquat: Por mais que erre os diálogos em cima do palco, por mais que a tempestade arranque parte de suas posses, o publico sempre aplaudirá, e a calmaria sempre aparecerá. Momentos turvos precedem a calmaria. Dor e agonia serão substituídos por amor e alegria.
Sempre estaremos aqui, renascendo das cinzas, quebrando as paredes, erguendo-se da loucura, esquecendo os traumas e esperando o sol nascer. Sempre teremos outra chance, talvez agora, talvez depois, mas não se esqueça, não fique parado, ainda há muito o que explorar.

Rotina

Acordo
Espreguiço-me
Pisco
Olho ao redor
Penso
"Merda"

Levanto
Espreguiço-me
Me encolho
Tremo
Penso
"Frio"

Caminho
Abro a porta
Acendo a luz
Miro o espelho
Penso
"Poutz"

Viro
Giro
Entro
Molho-me
Penso
"Quente"

Seco-me
Bocejo
Visto-me
Caminho
Como
Volto
Escovo
Calço
Caminho
Bato a porta
Penso
"O que eu fiz desde que acordei?"

Borboleta manchada

É como se minhas asas secassem
Como se tudo fosse tingido
Uma tinta negra como a noite
Que faz tudo cair

Asas brancas como Luz
Transformadas em carvão
Estado putreo de meu corpo
Culpada seja a escuridão

Burlei-a durante algumas noites
Mas ela foi mais forte
Não tenho como lutar
Não tenho como sobreviver

Asas, que arrancadas foram de mim
Voltem para a Terra, lugar de sua criação

Corpo, que morre sem ter como voar
Volte para a Terra, lugar de sua criação

Abandono este plano
Volto para a Terra
Encerrando mais uma missão
Aguardando a volta
Pura diversão

Cães Lendários

O Raio
O Fogo
A Chuva

O ato
A consequência
A solução

O adorado
O compreendido
O odiado

Três cães
Eterna beleza

Criados de uma Guerra
Guardiões de duas torres

Protetores de um certo lugar
Ajudantes de um sonhos
Entendidos pelos de coração
Aqueles que atribuem à vida uma razão

EVentos hipotéticos que nunca me abandonam

ENtre berros eu tento encontrar
SUposições de eventos figurados
QUe minha mente teima em percorrer

TRilhas parelas
ROtas perturbadoras
ÂNgulos em comum
PArágrafo repletos de zunzum

MAnchas de tintas que borram minha visão
BLoqueiam meus passos
ENquanto meu esqueleto continua
UM movimento perpétuo

Fígado em quatro paredes

Fechado em um gabinete penso em minhas ações
Encosto as portas
Cerro as janelas
Sufocado com ideias abstratas
Quanto tempo aguentarei
Até que meu fígado se canse
E com cirrose eu entre num transe

Banda

Gritos de uma guitarra retumbante
Escudos de um baixo ressonante
Melodia em composição
Uma arte de difícil criação

Criando uma ideia
Análise de uma sociedade
Humanos em contemplação
Um mundo em perdição

Investidas de uma bateria enferrujada
Leve como pena
Pesada como pedra
Uma eterna batida ritmada

Acordes melancólicos de um piano envelhecido
Um senhor os executa
Lembranças de um passado distante
Memórias com mais de um sentido

Malparo de uma voz desentoada
O infinito para ensaiar
Imensurável repertório
Coragem de uma alma desacostumada

Comas de um violino estarrecido
Comas de um celo enternecido
Uma forma de reflexão
Eterna distração

Uma banda
Um sonho
Em breve
A realização

Replantando as árvores.

A água do mar ricocheteava contra as pedras já desgastadas do morro Hilalau. Os pássaros, perdidos diante de uma tempestade que se aproximava, voavam rumo ao oeste em formação padrão. A vegetação, já úmida devido ao orvalho, se curvava perante o forte vento que assoviava ao redor do morro. O sol não se erguera naquela manhã, as nuvens cobriam o céu da cidade litorânea, tornando impossível enxergar algo à cima.
Hanz estava sentado no cume do morro, observando o comportamento agressivo do mar que se agitava descontroladamente contra as rochas. Sua respiração era lenta e despreocupada, mas seus sentimentos travavam uma guerra que parecia não ter fim. Seu cabelo, úmido devido ao orvalho, caia sobre os seus olhos e, às vezes, chocava-se contra seu rosto devido ao vento. Sua roupa, igualmente úmida, havia mudado de cor devido ao barro encontrado durante a caminhada. Sua mente, apesar de registrar as imagens das águas e do céu, estava longe, vagando entre mundos hipotéticos criados por situações impossíveis de se consertar.
- Hanz.
Uma voz conhecida ecoou por sua mente, quebrando o transe em que se encontrava. Ele não olhou para sua companhia, seus pensamentos, no momento, eram mais importantes que aquele ser.
- Hanz, por favor. - Sua voz era calma, baixa e melódica. Não indicava uma ordem, mas um pedido.
Lágrimas escorreram pelo rosto de Hanz, não de tristeza, mas de medo. Suas mãos e pernas começaram a tremer e seus olhos se desfocaram, algo mexia com ele.
- Eu consegui acabar com todas as chances de realizar meu sonho. – Suas palavras eram ditas entre soluços e pequenos grunhidos. – Eu não tenho mais motivos para continuar nestas terras mundanas.
- Isso não é verdade Hanz, você pode ter perdido uma oportunidade, mas não quer dizer que tudo se foi para sempre. – Ele encostou sua pequena mão no ombro de Hanz.
- Você não entende Kirk. – Disse ele mirando o chão.
- Por quê? Devido ao fato de eu não possuir as preocupações do mundo físico? Ou pelo fato de eu estar servindo de espirito guardião para você e ter falhado nesta batalha? O seu fracasso é o meu fracasso. A culpa também é minha.
Hanz ergueu sua cabeça e encarou o pequeno espirito que o acompanhava. Suas almas estavam ligadas, suas vontades, fracassos e conquistas eram a mesma, não havendo um único culpado. Ele voltou o olhar para as pedras a sua frente e contemplou, novamente, a agressividade da água.
- Desculpe-me Kirk.
- Tudo bem, mas o que você vai fazer agora?
- Você disse, quando nos conhecemos, que eu era um plantador.
- Eu sei, mas...
- Minhas árvores foram derrubadas. Resta-me erguer o meu corpo e replantá-las.
Hanz se levantou e começou a caminhar rumo à praia, não esperando uma resposta de seu amigo. Kirk permaneceu parado sobre a pedra que Hanz estava sentado, ora olhando para o oceano, ora para os céus, como se esperasse que algo de diferente acontecesse.
- Você não vem? – Disse uma voz abafada.
- Vou, eu só estava esperando uma coisa. – Kirk se virou e correu ao encontro de Hanz.
Uma forte rajada de vento percorreu o morro e pequenas gotas começaram a despencar do céu. Trovões ecoaram pelos ares e fortes relâmpagos cortaram o horizonte. A chuva começou a engrossar e o vento ficou mais forte, dificultado a locomoção dos viajantes. Hanz colocou Kirk em seu ombro e, juntos, caminharam para um lugar mais tranquilo, um lugar para que pudessem replantar as árvores.

Persona

Vivo um personágem ficticio
A cada dia atribuo novas características
À ele devo minha vida
Meu salário vêm de seu suor
Minhas histórias vêm de seus pensamentos
Pena que interpretá-lo
Doa.

Infortunia

Algumas músicas não se fazem apenas com acordes.

Compus esta música em torno das duas da madrugada enquanto um amigo dormia e o outro utilizava o computador. A ideia era criar algo que não acordasse e ajudasse o meu amigo a dormir melhor.

Gracidea - Infortunia by Gracidea

O Passado